Negociações entre Irão e EUA. Suíça anuncia "retoma imediata" das discussões técnicas

Negociações entre Irão e EUA. Suíça anuncia "retoma imediata" das discussões técnicas

A delegação iraniana, que participava em negociações com os Estados Unidos na Suíça desde domingo, regressou esta segunda-feira a Teerão, dando agora lugar a "discussões técnicas".

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Abedin Taherkenareh - EPA

A Suíça, que acolhe negociações entre o Irão e os Estados Unidos desde domingo, anunciou o retomar "imediato" das discussões técnicas para acabar com a guerra no Médio Oriente.

Em comunicado, o Ministério suíço dos Negócios Estrangeiros saudou "o acordo sobre um roteiro que visa alcançar um acordo final em 60 dias” e que “cria as condições para a abertura imediata de novas discussões técnicas".

A delegação iraniana já regressou a Teerão após 18 horas de intensas negociações, segundo informações da media estatal iraniana.

Segundo as agências de notícias ISNA e Tasnim, a equipa técnica – liderada pelo vice-ministro dos Negócio Estrangeiros, Kazem Gharibabadi – permanece na Suíça e continuará as negociações técnicas sobre o memorando de entendimento de Islamabad.

As restantes delegações deverão deixar a Suíça esta segunda-feira, permitindo aos representantes realizar estas discussões técnicas à porta fechada ao longo da semana na estância de Bürgenstock, nos Alpes suíços.
“Progressos encorajadores”
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que as negociações entre Teerão e Washington foram concluídas com sucesso.

“As discussões ocorreram num ambiente positivo e construtivo e produziram progressos encorajadores, incluindo um acordo sobre um roteiro para um acordo final dentro de 60 dias, o estabelecimento de um comité de alto nível para fornecer supervisão política e o início de novas conversas técnicas”, anunciou Sharif.


As reuniões, que começaram no domingo, prolongaram-se pela noite e os mediadores do processo, o Catar e o Paquistão, anunciaram esta manhã a criação de um comité para aplicar o guião das negociações. “Este é um passo positivo, que nos permite estruturar a continuação do processo político e técnico”, afirmou o Governo suíço.

Paralelamente, o Irão anunciou ter tido uma “discussão muito breve” com os Estados Unidos sobre o seu programa nuclear durante as conversações, garantindo, no entanto, que não se tratou de negociações.

"Houve uma discussão muito breve sobre a questão nuclear, mas não foram discutidos quaisquer detalhes, e não se pode dizer que tenham começado negociações nucleares", disse o porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghai, à agência de notícias IRNA.

A delegação americana "apresentou as suas posições de forma muito sucinta" sobre a questão nuclear, e o Irão fez o mesmo, acrescentou o porta-voz, descrevendo a troca de informações como "uma apresentação das nossas respetivas posições".

A discussão ocorreu depois de a delegação iraniana ter abandonado a mesa das negociações, no domingo, após novas ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump.

Na rede social Truth Social, Trump instou Teerão a impedir que seus aliados no Líbano, referindo-se ao Hezbollah, "causassem problemas", caso contrário, os Estados Unidos retomariam os ataques ao Irão.

"É melhor que escolham bem as palavras; as nossas forças armadas estão prontas para responder à altura", advertiu o chefe da equipa de negociação de Teerão, Bagher Ghalibaf.
O nuclear e o Hezbollah
A questão do programa nuclear do Irão é um dos temas mais sensíveis em debate, tendo estado na base das justificações dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão iniciados a 28 de fevereiro.

Para os Estados Unidos, é fundamental garantir que o Irão nunca irá desenvolver ou obter uma arma nuclear, pelo que exigem que as autoridades iranianas diluam imediatamente e sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) todo o seu urânio altamente enriquecido.

O Irão, por seu lado, argumenta que tem o direito legítimo e soberano de desenvolver tecnologia nuclear para fins civis.

Nas negociações já realizadas, os dois lados acordaram libertar ativos iranianos e levantar as restrições ao petróleo, assim como proteger o Líbano de novos ataques israelitas.

Na questão libanesa, será criada uma "célula de gestão de conflitos" para pôr fim aos combates entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah.

c/agências
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